Ulcera de Pressão

Ulcera de Pressão ou de decúbito é uma lesão, que causa sofrimento e que se não for tratada atempadamente, diminui a qualidade de vida dos doentes e em situações extremas pode levar à morte.

O que são?

De acordo com o European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP), Ulcera de Pressão “é uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, normalmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de cisalhamento”.

A diminuição da circulação sanguínea provocada pela pressão numa determinada área pode levar à ocorrência de danos na pele e/ou nos tecidos. Podem ser afetadas várias camadas de pele, músculos e ossos. As regiões consideradas de elevado risco são a do sacro, os calcanhares, os cotovelos e as omoplatas.

Sintomas

  • Aumento da temperatura
  • Ligeira vermelhidão
  • Sensibilidade ao toque

Os factores de risco:

  • Idade

Pessoas com mais de 65 anos de idade, possivelmente por causa da redução do tecido adiposo subcutâneo e diminuição do fluxo sanguíneo capilar

  • Diminuição da mobilidade e pressão

Pessoas que passam por um prolongado período de internamento, de repouso no leito, terão os seus tecidos moles sujeitos a uma maior pressão que associada à redução da circulação sanguínea e oxigénio pode favorecer o desenvolvimento da ulcera. Uma ulcera pode-se desenvolver em três ou quatro horas.

  • Atrito e exposição a irritantes cutâneos

A fricção da pele contra as roupas, da pessoa ou as da cama, pode causar uma erosão local levando ao desenvolvimento de uma ulcera. Também uma prolongada exposição da pele à urina (incontinência), que é um irritante cutâneo, terá o mesmo efeito.

  • Capacidade de cicatrização

A pessoa pode ter a sua capacidade de regeneração de feridas debilitada, quer por doença (diabetes, doença arterial periférica e/ou insuficiência venosa) quer como consequência de um estado de subnutrição.

  • Forças de cisalhamento

Quando o paciente é colocado numa posição inclinada, que irá esticar e danificar os tecidos de suporte, fazendo com que as forças dos músculos e tecidos subcutâneos que são puxados para baixo pela gravidade se oponham aos tecidos mais superficiais que permanecem em contato com superfícies externas. As forças de cisalhamento contribuem para as Ulceras de Pressão, mas não são as causas directas.

  • Humidade

O contacto contínuo com a humidade (transpiração, incontinência) leva a uma degeneração da pele e ruptura dos tecidos, o que pode iniciar ou agravar uma ulcera.

Como os músculos são mais suscetíveis à isquemia por compressão do que a pele, a isquemia e necrose musculares podem ser a base das Ulceras de Pressão resultantes de compressão prolongada.

Fases das Ulceras de Pressão

Ulcera de Pressão é classificada em quatro fases, consoante a extensão dos danos dos tecidos:

  • Fase 1: não há abertura da pele, mas a a vermelhidão não fica branca quando pressionada. A área pode apresentar-se dolorosa, endurecida, amolecida e mais quente. Em pessoas de pele escura podem ser difíceis de detectar.
  • Fase 2: os danos atingem a epiderme, a derme ou ambas. Em termos clínicos, os danos observados são escoriações ou bolhas. A pele em redor poderá estar vermelha.
  • Fase 3: os danos estendem-se através da camada superficial da pele e do tecido adiposo. A ulcera tem o aspecto de uma cratera profunda, no entanto não existe exposição de osso, tendão ou músculo
  • Fase 4: os danos incluem a perda total de tecido com exposição óssea, de músculo ou tendão. Pode haver presença de esfacelo ou escara em algumas partes do leito da ferida.

Tratamento da Ulcera de Pressão

No tratamento deve-se cuidar adequadamente da ferida, controlar as doenças associadas e, principalmente, fornecer os nutrientes nas quantidades recomendadas com o objetivo de recuperar o estado nutricional e auxiliar a cicatrização da pele.

Nutrientes com proteínas, arginina, vitaminas A, C e E, além dos minerais zinco, cobre e selênio são essenciais para a cicatrização. Da mesma forma, as calorias ingeridas devem atender à recomendação diária, uma vez que o sistema de recuperação dos tecidos precisa de energia.

Devido à dificuldade em se alcançar a quantidade ideal destes nutrientes com uma dieta convencional, o uso de suplementos específicos para o auxílio da cicatrização é um diferencial importante no tratamento.

A Direção Geral da Saúde na orientação nº 017/2011 de 9/5/11, refere que “as ulceras de pressão, são um
problema de saúde pública e um indicador da qualidade dos cuidados prestados … estima-se que cerca de 95% das úlceras de pressão são evitáveis através da identificação precoce do grau de risco”.

Com o objectivo de sensibilizar a comunidade médica para esta problemática e partilhar experiências e boas práticas a ARS Algarve organizou o 1º Encontro Regional “STOP ÀS ÚLCERAS DE PRESSÃO”. Terá lugar no Auditório Municipal de Lagoa no dia 5 de Fevereiro.