Manutenção das capacidades nas pessoas, idosas ou não

A manutenção das capacidades, nomeadamente, nos idosos, passou a ser uma prioridade desde há alguns anos para cá.

Quando o corpo, a cabeça deixam de ser solicitados o processo de perda das capacidades é acelerado; quando a pessoa deixa de ser encorajada, ela perde a força…É importante e necessário proporcionar um ciclo positivo: actividade e manutenção das capacidades.

Considerar os idosos, autónomos ou não, como pessoas do presente

Paremos de pensar que os idosos só vivem do passado; eles têm, obviamente, um futuro. Os idosos assim como os doentes terminais, são adultos como os outros com uma diferença importante: o seu tempo de vida é, de certeza, limitado…Mas, mesmo que eles não o digam, têm as mesmas necessidades que todos os outros no que diz respeito à sensação de se sentirem vivos. A partir das capacidades, ainda existentes, de gostos e paixões é possível realizar actividades com as pessoas a quem se presta apoio domiciliário.

Como adultos, temos a capacidade de:

  • Revisitar o nosso passado
  • Viver o momento presente
  • Pensar no futuro

A inactividade como fonte de fadiga

Deixar as pessoas com mobilidade estarem de pé…viver o seu dia-a-dia sem nenhuma actividade faz parte de um grupo de erros involuntários que cometemos.

A inactividade aumenta a fadiga, debilita a pessoa quer física como psicologicamente. Fazer actividades com a pessoa a quem prestamos apoio, idoso ou não, permitir-lhe-á evitar o tédio que é de viver entre uma cama, um sofá e uma cadeira!

A estimulação oral como: “deveria sair…” ou “fazer isto ou aquilo” …é frequentemente ineficaz. Portanto, é necessário procurar outros métodos que terão maior probabilidade de trazer frutos.

O “fazer com”

“Fazer com”. Isto é, fazer a actividade com a pessoa que apoiamos em vez de propor que esta a faça sozinha, pode ser uma excelente alternativa. Fazer com estímulo, porque é mais motivante fazer a dois, do que ter de fazer sozinho. E esta é uma verdade em várias fazes da vida, desde a infância até à velhice.

O “fazer com” compreende, desde actividades do quotidiano até actividades de lazer. Ajuda de reforçar laços ou mesmo a criá-los quando o apoio é prestado por um cuidador formal. Pois, realizar uma actividade em conjunto implica um contacto directo, estar fisicamente próximo do outro. Também o sentimento de solidão diminui fortemente quando se fazem actividades a dois ou mais (veja mais aqui). O sentimento de confiança e auto-estima é reforçado, pois quando se é idoso mais facilmente se perde a vontade de fazer e se instala o sentimento de incapacidade.

“Fazer com” traz mais animo à vida e permite sentirmo-nos melhor com o avançar da idade:

  • “fazer com” permite viver mais intensamente o presente: a inactividade suscita mais aborrecimento e tédio do que a actividade
  • “fazer com” permite projectar um futuro: quando se realizam actividades em conjunto, os intervenientes podem pensar em dar continuidade a essas mesmas actividades
  • “fazer com” permite utilizar competências do passado, um pouco esquecidas durante o período de dependência