Dicas para o cuidador cujo o cônjuge vai para uma casa de repouso

Quando um dos cônjuges não pode continuar a receber os cuidados de saúde em casa e deve ser institucionalizado, numa casa de repouso, muitas vezes o outro fica em casa sozinho e tem que se acostumar a uma nova forma de ser cuidador.

A InfoSenior deixa-lhe seis dicas para superar o sentimento de desamparo e impotência que muitas vezes se manifesta nestes momentos.

A vida de um casal perturbada pela perda de autonomia do cônjuge

A vida a dois é um desafio todos os dias. E ainda mais na velhice, mesmo quando os cônjuges estão de boa saúde. Quando a saúde ou a autonomia de um dos cônjuges se deteriora, cuidar dele levanta desafios muito difíceis para o cuidador.

Quando um dos cônjuges precisa de ajuda diária, a tarefa de cuidador pode tornar-se fisicamente difícil e o esgotamento emocional é recorrente. Ver que o seu ente querido já não consegue fazer as actividades de vida diária sozinho é muitas vezes difícil de aceitar e encarar. Por outro lado, tornando-se dependente, o cônjuge assistido, que era uma parte igual na vida do casal, também sente que se está a tornar num peso.

Esta situação põe em causa o delicado equilíbrio do casal e da família em geral. Quando a prestação dos cuidados na residência se torna muito complicado, a admissão numa casa de repouso do cônjuge dependente é muitas vezes necessária para evitar a exaustão ou depressão do cuidador em boa saúde.

Situações em que o casal é admitido em simultâneo são, relativamente raras, até porque o custo do internamento é, por vezes, muito alto e difícil de suportar.

O cuidador que fica em casa deve ter o cuidado de encontrar uma casa de repouso adequada e gerir os assuntos do casal. Quando esse cônjuge não estava envolvido em alguns aspectos da vida familiar, vê-se obrigado a assumir responsabilidades que nunca teve anteriormente. Face às dificuldades físicas e emocionais, o próprio cuidador precisa de ser orientado e aconselhado.

Seis dicas para lidar com a entrada do cônjuge numa casa de repouso

Face à nova situação, o cônjuge que fica em casa deve muitas vezes adoptar novas estratégias para reorganizar a sua vida e o seu relacionamento com o seu ente querido, agora num lar de idosos.

Não tente fazer tudo sozinho

Para garantir a melhor transição quando o seu cônjuge é admitido num lar de idosos, é importante manter um relacionamento próximo com a equipa da instituição e não tentar lidar com todos os obstáculos sozinho. Hoje, o papel da equipa e dos profissionais de saúde não é apenas cuidar do residente, mas também auxiliar os cuidadores informais, informando-os sobre como apoiar e ajudar os seus entes queridos.

A equipa de saúde está ciente de que a situação do cônjuge independente não é fácil e é formada para oferecer apoio às famílias dos residentes.

Junte-se a um grupo de apoio

Com a admissão numa casa de repouso do seu cônjuge torna-se mais fácil para si cuidar dele e alivia-o das dificuldades materiais e físicas, envolvidas em manter uma pessoa idosa frágil em casa. Mas muitos cuidadores informais desenvolvem sentimentos de culpa após a entrada do cônjuge num lar de idosos.

Para superar esses sentimentos naturais, mas frequentemente injustificados, recomenda-se partilhar essa experiência com outros cuidadores na mesma situação participando num grupo de suporte. Entre outras, a Associação Alzheimer Portugal prestam este apoio.

Lembre-se de dar a si mesmo tempo de qualidade

Quando um dos cônjuges perde a sua autonomia, a rotina é perturbada e os passeios a dois deixam de ser possíveis. Para evitar sentimentos de perda e solidão, após a institucionalização de um cônjuge, recomenda-se ao outro membro do casal, reservar tempo de qualidade para passeios ou actividades de que goste.

O objectivo: preservar a autonomia e manter a sua qualidade de vida.

Fale abertamente com o seu cônjuge

Para evitar o sentimento de culpa que pode sentir quando sai sem o seu cônjuge, não se esqueça de falar com ele sobre sua necessidade de manter uma actividade.
Expressar as suas necessidades permite que o seu ente querido entenda a sua necessidade de independência e não se sinta ignorado. Também pode partilhar essas novas experiências e enriquecer o seu relacionamento trocando informações e impressões sobre as actividades de cada um. Uma comunicação aberta permite não desperdiçar energia em coisas negativas.

Aprenda a pedir ajuda

O cônjuge saudável assume, frequentemente, a responsabilidade por todos os procedimentos administrativos e logísticos da gestão doméstica e institucional.
Para evitar o stress e desgaste, não hesite em pedir ajuda aos seus filhos, irmãos, amigos ou profissionais.

O objetivo: não lidar sozinho com situações que se podem revelar muito complexas.

Realize algumas actividades com o seu cônjuge

Confrontado com a perda de autonomia do cônjuge e da separação física, preservar uma relação gratificante enquanto casal nem sempre é fácil.
Escolha actividades simples para fazerem em conjunto, como ouvir música ou lêr. A música pode aliviar a ansiedade e melhorar a comunicação com um cônjuge com a doença de Alzheimer.