Cuidadores informais: 5 maneiras de se libertar do sentimento de culpa

Quantas vezes sentiu culpa em relação aos idosos que ama? Receio de não os visitar com frequência suficiente? Não ajudar o suficiente em casa? A institucionalização no lar de idosos, terá sido uma decisão errada?
Aprenda a usar a culpa com sabedoria e reduza o stress que ela pode causar.

O sentimento de culpa dos cuidadores familiares, uma fatalidade?

Quantas vezes se arrependeu do que fez ou do que poderia ter feito por um familiar idoso cujos cuidados estão a seu cargo? Culpa é aquela parte da sua consciência que o acusa de não corresponder às suas expectativas. Devemos ouvi-la?

A culpa pode ter duas consequências diferentes:

  • fazer com que se sinta desconfortável, ansioso e stressado. Para os cuidadores familiares, este stress pode rapidamente degenerar numa depressão
  • optar por usar o sentimento de culpa para se motivar a melhorar onde for necessário

Enumeramos abaixo alguns exemplos de situações que podem ser fontes de sentimentos de culpa para os cuidadores familiares, bem como dicas sobre como concentrar pensamentos e energia para eliminar esse sentimento e agir proactivamente.

Tenho a minha consciência pesada por não passar mais tempo com meus pais idosos

Quando sua mãe lhe pede para ficar mais tempo ou visitá-la com mais frequência, você sente-se culpado. Isto é especialmente verdadeiro quando a distância ou uma agenda preenchida dificultam as visitas frequentes. Sem mencionar o facto de que sabe que suas visitas são aguardadas com ansiedade.

A tentativa de satisfazer todas as exigências da sua vida, privada e profissional, pode rapidamente tornar-se stressante e impedir que aproveite ao máximo o tempo com sua mãe.

Em vez disso, concentre-se no seguinte:

Invista no tempo de qualidade. Leia nossas dicas para uma melhor comunicação com um familiar idoso.

Em suma, nem sempre é necessário estar mais frequentemente ou mais tempo com o seu ente querido. O importante é que ele possa realmente aproveitar o tempo que estão juntos e não ficar com uma sensação de falta que pode deixar uma visita “sem sabor”.

Quando tiver o tempo, realmente limitado, pode sempre contactar uma associação voluntária para visitar o seu familiar. Há também empresas de apoio domiciliário que podem preencher estas lacunas. Sentir-se-á menos culpado de “abandonar” os seus pais, se souber que outra pessoa irá assumir a função.

Sinto-me culpado quando perco a paciência

Cuidar de uma pessoa idosa, diariamente, requer muita paciência e pode ser desgastante. Cuidadores familiares de pessoas com doença de Alzheimer que apresentam problemas comportamentais podem ficar confusos e ter dificuldade em manter a calma perante as questões repetitivas. Existem estratégias mais produtivas do que a culpa para lidar com a impaciência.

Concentre-se, sobretudo, no seguinte:

A paciência dos cuidadores familiares diminui, frequentemente, quando estão exaustos. Se se sente esgotado, use este sinal não para se sentir culpado, mas como uma chamada de atenção de que é hora de fazer uma pausa. Os cuidadores informais precisam de pensar sobre as suas próprias necessidades e descanso para estar na sua melhor forma e assim poder ajudar o seu familiar.

Dedique a sua energia em encontrar uma solução de descanso, em vez de se sentir culpado. Também poderá praticar actividades anti-stress para os cuidadores familiares.

Sinto-me culpada quando reservo algum tempo para mim

Colocar as necessidades do seu pai idoso antes das suas, é certamente um sinal de amor. Provavelmente acha que é seu dever dedicar-se inteiramente a cuidar de seus pais que estão a perder a sua autonomia. Pode pensar que finalmente terá a oportunidade de lhes retribuir e mostrar-lhes o seu amor.

No entanto, não pode colocar as suas próprias necessidades de lado, eternamente. Ficar com a consciência pesada por pensar em si, é autodestrutivo e não trará nada de bom para ninguém.

Em vez disso, concentre-se no seguinte:

A melhor maneira de estar disponível para cuidar de um familiar querido, em casa ou numa instituição, é estar no seu melhor. Apenas descansando bem, comendo refeições equilibradas e praticando desportos, terá forças para ajudar o seu familiar.

Lamento que o meu familiar esteja numa casa de repouso

Mesmo que a decisão de ir para um lar de idosos tenha sido tomada em conjunto com o seu familiar, nem sempre se tem certeza de que foi a melhor opção. E se o seu familiar tiver dificuldades em se exprimir e se se viu obrigado a tomar a decisão completamente sozinho, provavelmente sentir-se-á mais culpado por não ter conseguido ajudá-lo a ficar em casa.

Concentre-se, sobretudo, no seguinte:

Muitas vezes, ficamos com a consciência pesada por não termos conseguido ajudar o nosso familiar a receber os cuidados de saúde necessários na sua residência. Então, a entrada num lar de idosos aparece-nos como uma solução de último recurso, da qual nos arrependemos ou sentimos culpados.

No entanto, os cuidadores familiares nem sempre tomam a decisão sozinhos. Muitos idosos sabem que estarão melhores num lar de idosos por causa da sua perda de independência e porque não querem representar um fardo para a família. Essa escolha é deles e devemos respeitá-la mesmo quando nos sentimos culpados por termos chegado a essa situação.

Uma casa de repouso ou residência sénior, é muitas vezes uma boa solução para uma pessoa que se sinta só na sua residência ou que precise de cuidados médicos apropriados. Estas instituições satisfazem as necessidades dos seus utentes, em termos de vida social, alimentação, cuidados médicos e entretenimento.

Mas, a família ainda tem um papel a desempenhar: visitá-lo regularmente, partilhar experiências, cuidar de algumas coisas que a equipa do lar não pode (a aniversários, algumas compras …).

Colocar um familiar numa casa de repouso e vê-lo instalar-se e integrar-se não é sinónimo de abandono. Pelo contrário, é uma forma de relegar a profissionais as considerações técnicas associadas às actividades de vida diária ou cuidados médicos.

Sinto-me culpado quando estou frustrado ou com raiva

Se é como a maioria das pessoas, pode considerar emoções como a frustração ou a raiva como sinal de fraqueza. As pessoas tendem a esconder as emoções que consideram negativas. No entanto, essas emoções são tão naturais quanto o amor e a alegria e todos temos o direito de vivenciá-las. Muitas vezes é stressante, até mesmo perigoso para a saúde, enterrar essas emoções.

Experimente o seguinte:

Se é verdade que ser negativo pode ter más consequências sobre as pessoas que o rodeiam, é importante expressar essas emoções de maneira segura e inofensiva.

Poderá partilhar a sua frustração com um amigo, aliviar sua raiva através do exercício físico, ou encontrar um lugar tranquilo para chorar…. Relembramos que existem métodos de controle da raiva. Terá que encontrar os que combinam consigo.

Cuidadores familiares que nunca se sentem culpados são raros … Quando conseguir aproveitar essas emoções e orientá-las na direção certa, elas poderão ajudá-lo a seguir em frente. Se se sente num impasse, não hesite em consultar um especialista ou partilhar sua experiência num grupo de apoio.