Alzheimer: 8 dicas para gerir a incontinência

Além da perda de memória e agitação, a doença de Alzheimer pode causar incontinência urinária e fecal. Se a incontinência é relativamente comum nos idosos, é ainda mais frequente em pacientes com demência. Para os cuidadores familiares ou informais, esta é outra dificuldade a gerir diariamente.
A InfoSenior reuniu algumas dicas para o ajudar a superar mais facilmente o problema da incontinência do seu familiar com a doença de Alzheimer.

A incontinência é um sintoma comum da doença de Alzheimer?

Incontinência não é, estritamente, um sintoma da doença de Alzheimer. No entanto, é comum nos idosos com demência. A probabilidade de incontinência urinária é de facto três vezes superior em pacientes com demência do que em outros; e a incontinência fecal quatro vezes, de acordo com um estudo recente publicado na revista PLOS (biblioteca americana pública de ciências).

A incontinência em idosos com doença de Alzheimer pode ser explicada por vários factores relacionados com as consequências da doença que afeta o cérebro e as capacidades cognitivas do paciente:

  • dificuldades em identificar suas necessidades físicas, devido à disfunção neurológica
  • esquecimento da localização dos sanitários ou dificuldades em distingui-los das outras assoalhadas
  • desorientação, especialmente quando a pessoa está num lugar novo ou desconhecido
  • perda de autonomia física, tornando o acesso à casa-de-banho mais lento
  • uso de certos medicamentos que enfraquecem os esfíncteres ou têm um efeito diurético
  • dificuldade em expressar verbalmente a necessidade de se aliviar ao seu cuidador informal ou profissional.

A incontinência pode ter outra causa?

A incontinência nem sempre está ligada à doença de Alzheimer. O paciente pode ficar doente como qualquer outra pessoa. A incontinência urinária pode ser simplesmente um sintoma de um problema de saúde, que exigirá uma consulta com o médico assistente, seguido de tratamento adequado.

Os seguintes sintomas podem indicar um problema de saúde:

  • sangue na urina ou nas fezes
  • dor na próstata (homens)
  • urina fétida (pode ser uma infecção do trato urinário, desidratação, diabetes ou algum outro problema renal)
  • perda de peso
  • obstipação forte
  • dor durante a micção, dor nas costas e outras (por exemplo, uma dor de cabeça pode ser um sinal de insuficiência renal).

É importante tratar estas possíveis causas de incontinência para garantir o bem-estar do seu familiar com a doença de Alzheimer. E por outro lado, estará a evitar todas as dificuldades em gerir esta situação quer para o paciente quer para o cuidador.

Como gerir a incontinência com Alzheimer?

Quando as outras possíveis causas médicas de incontinência foram descartadas, poderá seguir algumas dicas que ajudarão, ao seu familiar e respectivo cuidador, a gerir a incontinência.

  • Melhor comunicação: Se o seu familiar tiver dificuldades em expressar a sua necessidade de ir à casa-de-banho ou sentir vergonha, a confusão e a incapacidade de pedir ajuda não permitirão que ele lide com a incontinência. Adopte estratégias de comunicação eficazes para pessoas com doença de Alzheimer. Permitir-lhe-á compreender melhor as necessidades do seu familiar e fazê-lo sentir-se à vontade para solicitá-lo quando houver uma necessidade urgente.
  • Acesso facilitado ao wc: a adaptação da residência também é um ponto importante a ser levado em consideração para reduzir as consequências desagradáveis ou mesmo perigosas da incontinência na pessoa com doença de Alzheimer (risco de cair, no caso de correr para alcançar o wc, por ex.). Remova pequenos móveis e/ou tapetes que possam interferir com o acesso do seu familiar à casa-de-banho. Instale barras de apoio para evitar quedas e proporcionar uma sensação de segurança.

  • Um melhor reconhecimento do wc: se o paciente de Alzheimer tende a perder-se em lugares familiares ou a esquecer a localização exacta do wc, pode optar por pintar a porta da assoalhada de uma cor diferente ou pendurar uma imagem de um desenho animado expressivo. Uma sanita de outra cor que não branco também pode atrair mais facilmente o olho do seu familiar com a doença de Alzheimer. Evite espelhos perto da assoalhada, pois eles podem ser confusos.
  • Roupas confortáveis: Usar roupas difíceis de manusear podem atrapalhar os movimentos do seu familiar e impedir que ele se dispa a tempo. Providencie roupas confortáveis, que sejam fáceis de despir.
  • Um programa de exercícios físicos: as dificuldades de deslocação agravam as consequências da incontinência. Na pessoa com doença de Alzheimer, na qual a mobilidade é um problema ainda mais pronunciado, a atividade física é ainda mais crucial. Ajudará a manter a mobilidade necessária para chegar ao wc sem impedimentos.
  • Alimentação adequada: Como em todas as questões de saúde, a nutrição equilibrada e adaptada têm um papel importante a desempenhar, também, no tratamento da incontinência. Os líquidos são, naturalmente, o ponto mais importante a verificar na dieta do seu familiar com a doença de Alzheimer e incontinência. Evite bebidas que irritam a bexiga (coca-cola, café, álcool …) O seu familiar deve beber durante o dia, mas reduzir a ingestão de líquidos à noite, para evitar a incontinência nocturna.

  • Visitas regulares ao wc: a rotina é muitas vezes a melhor solução para pessoas com a doença de Alzheimer. Isto vale para as refeições e a hora de dormir, para lutar contra os distúrbios do sono. E também é válido para gerir a incontinência. Incentive o seu familiar a ir à casa-de-banho em horários definidos (ao levantar, depois de uma refeição, a cada 2 a 4 horas do dia, antes de dormir).

Paciência, a mãe de todas as virtudes …. Leve o seu familiar com a doença de Alzheimer ao wc quando ele pedir. Evitando apressá-lo ou stressá-lo. Fale com respeito e com calma, para evitar confusão.

Mesmo após adoptar uma rotina de visitas regulares ao wc, não espere que o seu familiar seja sempre bem-sucedido. Os esfíncteres não são assim tão fáceis de controlar… Paciência, mesmo que se reconheça que nem sempre é fácil acompanhar as várias dificuldades encontradas no cuidado de um paciente com Alzheimer, é muitas vezes seu melhor aliado.